
O Brasil até a Semana de Arte Moderna de 1922 não possuía um estilo próprio de música clássica.Todos os estilos existentes no cenário musical eram adaptações ou cópias diretas dos grandes compositores europeus.A grande mudança ocorreu naquela ocasião, com o músico Heitor Villa Lobos (que viria a ser a maior figura do nacionalismo musical brasileiro).Ele empreendeu aprofundadas pesquisas sobre o folclore musical brasileiro, que incorporou largamente na sua produção, e era dono de uma inspiração enérgica e apaixonada.Soube fazer seus elementos nacionais e estrangeiros, eruditos e populares, criando um estilo próprio de grande força e poder evocativo, em uma produção caudalosa que empregava desde instrumentos solo, onde o violão teve um papel de destaque, até grandes recursos orquestrais em seus poemas sinfônicos, concertos, sinfonias, bailados, e óperas, passando pelos múltiplos gêneros da música de câmara vocal e instrumental. Villa Lobos também desempenhou um papel decisivo na vida musical do país em virtude de sua associação com o governo central, conseguindo introduzir o ensino do canto orfeônico em todas as escolas de nível médio. Das suas obras são notáveis a série dos Choros, das Bachianas Brasileiras, as suítes intituladas A Prole do Bebê, o Rudepoema, os bailados Uirapuru e Amazonas, e o Noneto.
Como reação à escola nacionalista iniciada por Villa Lobos, criticada por apoiar a política centralizadora de Getúlio Vargas, ergueram-se alguns músicos em 1939 criando o Movimento Música Viva, que teve como auge um Manifesto publicado em 1946, expressando sua negação do academismo e do formalismo, e sua defesa de uma música excercida conscientemente e com compromisso social, e que refletisse a sociedade e pensamento contemporâneos, mas flexibilizando suas posturas em direção a uma recuperação de elementos diatônicos e populares ainda considerados capazes de veicular a verdade musical da sua época.
Esse Manifesto teve uma grande influência da terceira geração modernista, que lutou por uma arte mais social e engajada.
Outro movimento que chama atenção é o Movimento Armorial, iniciado por Ariano Suassuna na década de 70.Esse movimento visa a construção de uma cultura erudita através de elementos da cultura popular nordestina.Infelizmente, não foi um movimento que trouxe grandes resultados pois não foi aderido por grande parte dos músicos, em que pese esteja bem representado hoje em dia, principalmente, por Antônio Nóbrega.
Atualmente todas as correntes contemporâneas encontram representantes brasileiros, e a música clássica no país segue a tendência mundial de usar livremente tanto elementos experimentais quanto consagrados.
A música erudita ainda recebe escasso apoio oficial, a despeito do crescente número de escolas e de novos músicos ali formados, e do público apreciador. Diversas capitais estaduais e outras tantas cidades do interior dispõem de pelo menos uma orquestra sinfônica estável e uma escola superior de música, mas grupos de nível realmente internacional ainda são poucos.
Esse artigo foi uma (mega)síntese da música erudita brasileira, na próxima semana começarei com a formação da música popular brasileira até a época da bossa nova (a "Belle Époque" carioca).E fica também o pedido pessoal, vão assistir aos espetáculos das orquestras sinfônicas!Aqui em Natal, a entrada custa R$5 e vale muito a pena.
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